Mário Rui Alfama Pais vai dar a estampas o Livro “Os primeiros embaixadores de Cabo Verde no futebol”
(Segunda Parte da Reportagem)
Uma outra figura do futebol cabo-verdiano que Mário Pais destaca no seu livro é o jogador Borja Santos, mais tarde conhecido por Dr. Borja Santos, por se ter formado em direito, cujo pai era cabo-verdiano e a mãe é portuguesa.
Ao contrário do que se dizia durante décadas, os três primeiros jogadores que foram para Portugal eram naturais da cidade da Praia, frisou, sublinhando que isso não é bairrismo, mas sim uma precisão dos factos, aliás considerou que isso não é nada contra São Vicente, porque se considera isento neste aspecto.
Segundo adiantou, o Dr. Borja Santos, era proveniente de uma família conhecida no seio praiense, que foi estudar em Portugal, ainda muito jovem, e que frequentou os estudos no Liceu da Lapa e logo começou a jogar no Império, uma agremiação de muito importância na altura e que até foi o fundador número um da Associação de Futebol de Lisboa, um dos clubes com mais impacto no futebol português, em que foi titular absoluto no clube, apesar da equipa também na altura não albergava todos os jogadores como sendo profissionais, exceptuando um ou outro, em casos específicos, como os que vieram de Brasil ou outros estrangeiros, vieram porque estavam a fugir da Segunda Guerra Mundial, por serem judeus e alguns argentinos.
“O Borja Santos tornou-se mesmo uma figura preponderante, não só no SIF, como no futebol de Lisboeta e acabado os liceus, ele viaja para Coimbra par continuar estudos superiores na Faculdade de Direito de Coimbra e jogar na Académica de Coimbra e quando chegou a Coimbra, no próprio dia, houve um burburinho na garre da estação de comboios que se encheu de multidão só para o ver e ele nem sequer apercebeu-se disso”.
Conforme adiantou o jogador quando viu tanto de burburinho pensou que era alguém do governo que estava a ser recebido, mas na verdade era para si a recepção, porque a sua figura já era uma lenda por estas bandas do interior do país.
Frisou no seu livro que, Borjas Santos, passou anos maravilhosos na Associação Académica de Coimbra, passando a ser considerado a primeira grande figura da história centenária e lendária da Associação Académica de Coimbra, onde passou a ser jogador, treinador, mentor, e uma data de coisas.
Após ter regressado a Lisboa ao Império, começou a exercer, a sua atividade profissional, tornando-se diretor, do Colégio Académico, de seguida foi destacado para Angola onde foi diretor do Jornal do Congo, mas antes tinha sido também um considerável funcionário na Guiné-Bissau.
A terceira figura evidenciada no seu livro é o Filipe dos Santos, que após ter-se formado em medicina no Porto, dedicou-se ao atletismo em que veio a ser campeão de Júnior, e mais tarde na camada sénior, na categoria de velocidade.
Foi internacional pelo Porto em Atletismo contra Vigo, mas desde cedo, começou a praticar futebol, foi progredindo jogando passo a passo, mas acabou por ser o primeiro cabo-verdiano a disputar uma final da Taça de Portugal, representando o Porto, porque houve duas lesões na equipa do Porto, algo que não eram muito comum na altura, mas um deles era de um jogador que jogava na mesma posição porque ele era médio-direito. É que até 1933, 34, essa competição e muito bem vista, essa designação, chamava-se Campeonato de Portugal.
O livro aborda ainda outras figuras emblemáticas da Ilha de São Vicente, que foram tentar a sorte no futebol português, com destaque para uma geração, que considerou ser de grandes, jogadores, referenciando os três irmãos Senna, todos famosos no futebol português, Adérito, Alector e Ayres Senna.
Para além destes três jogadores, o livro evidencia o nome do Rocky, que também jogou no Sporting Club de São Vicente, que teve muito sucesso em Portugal como jogador.
Mário Pais revela ainda o seu fascínio pelo jogador Henrique Ben-David, que devido as suas qualidades técnicas veio a se transformar no primeiro internacional cabo-verdiano a jogar pela seleção de Portugal, o que acabou por lhe dar um estatuto fora do comum, após ter chegado a Lisboa nos finais de 46, a 47, proveniente do Mindelense, onde era treinado pelo tio Adérito.
“Para mim a figura do Enrique Ben-David é extraordinária e no meu livro, vou desvendar a sua trajetória com passagem pelos três grandes clubes de Lisboa Belenenses, Benfica e Sporting, mas acabou por fixar-se no Atlético, por escolha própria, uma vez que queria ter mais oportunidade de jogar”, referiu.
Segundo adiantou, o jogador recebeu convite tanto do Benfica, Sporting e Porto, mas sempre recusou, optando pelo Atlético que representou numa final da taça de Portugal em que perderam.
O livro narra ainda que, com o abandono de, Fernando Peyroteo, uma figura lendária do futebol português, na época, 48, 49, abriu-se uma vaga no meio campo centro e como havia vários concorrentes, era preciso escolher dois e coube a Henrique Bem-David e Patalino, a preencherem a vaga, “digamos, até uma batalha, ganha a dois”.
“Chegado à seleção o Ben David tem essa curiosidade, para mim, espetacular. É que todos os jogos que ele fez pela seleção portuguesa foram contra equipas britânicas, que era extremamente difícil na época”, evidenciou.
Lembra ainda que no jogo entre Portugal e Inglaterra terá sido gulhada por 10 bolas a zero, mas na partida que contou com a presença de Ben David, Portugal perdera por 5 a 3, em que o médio cabo-verdiano, fez uma exibição “sensacional”, tendo marcado dois golos recebera“grandes elogios”,feito que foi noticiado em Inglaterra.
A história da passagem do Bem-David, pelo Brasil, onde foi jogar à convite do Sporting de Portugal, como reforço,no torneio internacional “Copa Rio”, que contou com a participação das equipas da América Latina e europeia, durante a qual foi um dos cabeças de cartaz, e ter recebido grandes elogios.
O jogador que também defrontou a Escócia, Irlanda, França, conta o autor do livro, dizendo que “mas o último jogo, se não me engano, foi contra a Bélgica, porque, entanto, aparece aquela mazela miserável, digamos assim, que vai dar cabo de toda a sua carreira”.
Por causa dessa lesão, foi alvo de operação tanto em Portugal com em Barcelona - Espanha, todos realizados pelos maiores especialistas da altura,mas não correram tão bem,o que o levou a pôr fim a sua “magnifica carreira”.
No livro de acordo com o autor, os leitores vão puder ainda conhecer as historias dos jogadores de São Vicente, também das figuras de futebol da cidadeda Praia como o falecido Betinho, Rui Maia,e Mundinho.
“Saltando para os anos 60 , vou falar do Jorge Humberto, que foi o primeiro jogador cabo-verdiano a jogar no estrangeiro, fora de Portugal, adquirido pelo lendário Inter de Milão, prossegue ainda com história de Óscar Duarte, por exemplo chegou à seleção portuguesa jogando no Estoril”, elucidou.
A historia dos irmãos Alinho,também fazem parte do livro, lembrando que Carlos foi o jogador cabo-verdiano com mais internacionalizações até a altura da independência.
Frisa ainda no livro, a história de outros jogadores que passaram por Portugal como Miranda, o Tinta que era conhecido por Semedo em Portugal, também do Tambrinha que foi pai do Semedo que jogou no Porto, embora todos tenham chegado a Portugal, com 24 ou 26 anos, um pouco atrasado para o profissionalismo e pelas condições que recebiam na altura.
Os Jogadores que militaram na 2ª e 3ªdivisão, dos campeonatos regionais ou distritais, também mereceram o destaque no livro, garantiu Mário Pais.
A história do Ramos Delgado, cujo pai emigrou com nove anos de idade a bordo de um navio para Argentina, onde veio a jogar no Rival Platee no Santos, no Brasil, juntamente com o Pelé, ter sido o primeiro negro a capitanear a seleção Argentina.
O autor que foi colega de Luís Bastos, lembra os momentos fantásticos do futebolista em Cabo Verde e dos vários episódios do futebol no país.
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