A brutal homenagem do capitão da Real Sociedad guardada há 28 anos
Mikel Oyarzabal vestiu a Taça do Rei com uma camisola com o nome de um adepto morto por ultras do Atlético Madrid
O futebol é, por vezes, o cenário perfeito para a redenção histórica. Em 1998, o desporto viveu um dos seus capítulos mais negros quando Aitor Zabaleta, adepto da Real Sociedad, foi assassinado nos arredores do Vicente Calderón. O jovem basco de 28 anos foi atacado por ultras do Atlético de Madrid — membros da claque radical Bastión (ligada à Frente Atlético) — junto ao bar El Gayo, onde Aitor tentava proteger a namorada e algumas crianças de um grupo que os cercava.
Aitor foi esfaqueado no coração e não sobreviveu. Durante décadas, o seu nome tornou-se um hino de resistência em San Sebastián. A ferida, embora cicatrizada pela justiça — o autor material do crime foi Ricardo Guerra, condenado a 17 anos de prisão em 2000; na altura, já era um reincidente e gozava de um regime de liberdade condicional (terceiro grau) por outros delitos; apesar de não ter agido sozinho, foi o único a enfrentar a acusação de homicídio —, permanecia aberta na alma da claque txuri-urdin. O destino quis que, anos depois, a Real Sociedad encontrasse o Atlético de Madrid numa final histórica da Copa del Rey.
Num jogo disputado com uma intensidade brutal, a Real Sociedad sagrou-se campeã ao bater os madrilenos. Contudo, houve mais momentos marcantes do que o apito final, como o que aconteceu no pódio. Mikel Oyarzabal, o capitão e símbolo máximo do clube, recusou levantar o troféu sozinho.
Num gesto de enorme simbolismo, Oyarzabal vestiu o troféu com uma camisola da Real Sociedad com o nome de Aitor Zabaleta. Foi um ato de pureza: contra o ódio de 1998, a resposta foi a glória e o respeito. Mais do que uma taça, o clube devolveu à família de Aitor e à sua massa adepta a honra que a violência tentou roubar. Antes, as bancadas do La Cartuja já se tinham pintado com um tifo a lembrar a tragédia e a homenagear o jovem.
A última noite em Sevilha provou que os títulos passam, mas a memória dos que partiram injustamente é o que realmente sustenta a grandeza de uma instituição. Aitor Zabaleta, finalmente, levantou a Taça sobre a violência que lhe tirou a vida.
C/ abola



