MNE israelita classifica de "suicida" solução dos dois Estados

O chefe da diplomacia israelita classificou hoje como “suicida” a solução dos dois Estados – Israel e Palestina –, defendida por grande parte da comunidade internacional para pôr fim ao conflito em Gaza, em curso há 22 meses.
“Um Estado palestiniano no coração de Israel seria, sem dúvida, uma solução (...) para aqueles que procuram eliminar-nos. Não permitiremos que isso aconteça”, afirmou Gideon Saar, em declarações à imprensa internacional, insistindo que seria “uma medida suicida”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) israelita também atacou os países que apoiam a criação de um Estado palestiniano e que anunciaram que o reconhecerão formalmente durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro.
“Se países grandes como a França e o Canadá querem estabelecer um Estado palestiniano no seu território, podem fazê-lo; têm espaço suficiente. Mas aqui, na terra de Israel, isso não vai acontecer”, sentenciou.
Saar, que se referiu aos limites estabelecidos em 1967 após a Guerra dos Seis Dias, quando Israel ocupou a Cisjordânia, afirmou que “estabelecer um Estado palestiniano dentro das fronteiras de 67, com capital em Jerusalém Oriental (...) colocaria em grave perigo os centros populacionais de Israel e empurraria Israel para fronteiras que não podem ser defendidas”.
Portugal também já iniciou o processo com vista ao reconhecimento da Palestina na Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Desde o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas contra território israelita em 07 de outubro de 2023, que desencadeou a ofensiva israelita na Faixa de Gaza, Israel intensificou as suas operações militares na Cisjordânia, além de expandir os colonatos.
Em 19 de julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) determinou que Israel deve revogar todas as leis que favorecem a ocupação da Cisjordânia, classificando-a como ilegal.
No entanto, nesse mesmo mês, o parlamento israelita aprovou uma moção simbólica — sem efeitos legais — a favor da anexação do território, considerado ilegalmente ocupado pelo direito internacional.
As declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros israelita coincidem com a aprovação, por parte do Exército israelita, do plano para a próxima fase da ofensiva no enclave palestiniano, que inclui a ocupação da cidade de Gaza, onde residem cerca de um milhão de pessoas, segundo a imprensa árabe.
Com Lusa